Postagens

1. A SINA DE TODO PÓS-GRADUANDO?

Imagem
Imagine a   cena... A pessoa em casa, de madrugada, com dezenas de livros e papéis espalhados por todos os lados, sentada na frente do computador por horas e dias a fio, com a missão de concluir o tal do artigo científico para entregar à orientadora. Já na quarta prorrogação de prazo e sob ameaça de um ultimato – “se não mandar até amanhã, será jubilada”.  Às quatro da madruga, com as costas em frangalhos, a vista embaçada e a bunda quadrada, levanta para jogar água no rosto e passar mais uma xícara de café, afinal, só faltam as Considerações Finais.  Ah, as tais das “Considerações Finais”!!! Depois de vinte e tantas páginas a gente conclui  o quê ???  Eita perguntinha difícil.  Não sabia se rezava pedindo inspiração divina ou uma massagem... E lá se vão... 5 horas... 6 horas... começa a amanhecer e quando a pessoa pensa que finalmente acabou e vai poder descansar, lembra que ainda tem que ajustar as citações e referências às temidas regra...

7. ALGUMAS PALAVRAS AOS MEUS ORIENTADORES DE PÓS-GRADUAÇÃO (Parte 2 - Prof. Marta Irving)

Imagem
Quatorze anos depois do mestrado eu me aventurei a entrar no doutorado, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, que cursei de 2012 a 2017, tendo  professora  Marta de Azevedo Irving  como orientadora.  Precursora da Psicossociologia de Comunidades e da Ecologia Social, assim como o Zé Geraldo, a Marta também foi pioneira em um campo de conhecimento de vanguarda e contra hegemônico.  Ambos tiveram uma formação híbrida entre ciências naturais e sociais e construíram trajetórias incomuns no meio científico, buscando não a especialização em um determinado nicho, mas a complexidade do olhar holístico para as múltiplas facetas da realidade.  Inspirados por “autores subversivos” como Edgar Morin, enfrentaram diversos desafios e os riscos inerentes a quem ousa seguir um caminho que desafia o  mainstream .  E foram transgressores sem ser rebeldes ,  algo que apenas muita labuta e a maturidade é capaz de trazer. Em meio a um universo...

6. PALAVRAS AOS MEUS ORIENTADORES DE PÓS-GRADUAÇÃO (Parte 1 - Prof. José Geraldo W. Marques)

Imagem
Orientar um aluno de pós-graduação não é somente se preocupar com a produção de uma boa tese ou dissertação.  É também apoiar a transformação do orientando em um pesquisador independente, capaz de alçar voos solo cada vez mais altos.  Assim gostaria de deixar nesse blog a minha justa homenagem aos bons mestres que encontrei na minha jornada. E que muito contribuíram para que eu me tornasse a profissional que sou.  Desde a graduação em Ciências Biológicas, que fiz na Universidade Federal do Paraná (de 1994 a 1998), encontrei ótimos orientadores. Como o Marcelo Aranha e o Marco Fábio Maia Corrêa, que marcaram uma fase da minha vida que recordo com muito carinho.  Mas vou focar aqui nos orientadores de pós-graduação.  Primeiro no mestrado, que cursei de 1999 a 2001 na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com  o professor  José Geraldo Wanderley Marques.  E depois no doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)...

5. ORIENTADOR-ORIENTANDO: UMA RELAÇÃO TÃO DELICADA

Durante a pós-graduação, até chegar ao ponto de submeter um artigo para publicação e finalizar uma tese ou dissertação, há um longo caminho a ser percorrido.  Uma caminhada em que dependemos basicamente de nós mesmos, mas na qual uma outra pessoa exerce um papel fundamental -  o nosso orientador .  Seja a sua participação nesse processo mais ativa ou passiva, no  frigir dos ovos , o orientador é o principal avalista da qualidade do nosso trabalho durante uma pós-graduação.  E não dá para avançar nesse processo sem essa figura chave.  Por isso, é bom aprender a interagir e conviver bem com o seu!  Essa relação não é só importante para o sucesso do pós-graduando, ela é o núcleo de sustentação dos programas de pós-graduação.  Uma questão essencial, complexa e delicada de ser administrada, muitas vezes negligenciada pelos cursos.  Ela é tão relevante que tem vários artigos científicos e até livros escritos sobre isso [1, 2]. ...

4. A GOTA D'ÁGUA E O ENCONTRO DE UMA MISSÃO

Imagem
Depois do doutorado, atuando  como editora e parecerista de revistas indexadas , comecei a conhecer com mais propriedade os bastidores dos processos de avaliação e editoração científica. Adoro esse trabalho e aprendo muito com ele, mas com o tempo, comecei a me sentir desconfortável no papel de “rejeitadora” de artigos, em um contexto em que pouquíssimos textos passam pelo crivo inicial da avaliação.  Na Revista Desenvolvimento e Meio Ambiente, por exemplo, mais de 90% dos artigos submetidos são recusados logo na triagem inicial feita pelos editores.  A qualidade da maioria dos textos submetidos é desalentadora e boa parte deles não pode sequer ser considerada como um artigo, pois não contém os elementos mínimos necessários para tal. A cada dia de trabalho nessa função, minha angústia crescia. Até que me deparei com o caso de um pós-graduando cujo artigo ficou muitos meses em avaliação, por um tempo estendido devido a sucessivas desistências de pareceristas e...